O MUNDO ON-LINE
A rede mundial de computadores nasceu nos Estados Unidos, como uma reação de seu governo ao avanço tecnológico da antiga União Soviética. Segundo Abreu (2009), foi durante a Guerra Fria, que militares norte-americanos desenvolveram a ARPANET, rede da Agência de Investigação de Projetos Avançados dos Estados Unidos. Originalmente a rede, Arpanet, compartilhava informações com algumas universidades e alguns institutos de pesquisa. Segundo Azevedo (2013, p. 36), “Em 1973, a rede já interligava 30 instituições diferentes, inclusive militares e empresas.” Uma das empresas, a Xerox, desenvolveu um novo padrão de conexão entre os computadores, denominado Ethernet, que fazia as ligações entre estações de trabalho. A Arpanet, o Ethernet e a rápida popularização dos computadores pessoais na década de 90, deram origem à internet como a conhecemos hoje e modificaram a forma das pessoas se comunicarem.
Num primeiro período, conhecido como Web 1.0, a internet era caracterizada por um uso mais passivo de seus usuários, sendo necessário um conhecimento técnico para a disponibilização de conteúdos. Mais próximo à virada do milênio, que novas tecnologias foram criadas para a internet, possibilitando maior liberdade de uso para os usuários. A Web 2.0, é então caracterizada pelos novos serviços, como blogs, redes sociais e wikis, permitindo maior interação entre os usuários e maior facilidade na produção de conteúdos. Para Azevedo (2013), foi o investimento em equipamentos, que permitiu que imagens, sons e intercomunicação ficassem mais dinâmicos. O que alterou drasticamente a forma de interação entre as pessoas, resultando numa internet que não é apenas uma ferramenta, mas uma extensão de si mesmo.
A maior parte dessas novas interações é encontrada nas redes sociais on-line. Segundo Recuero (2009), são dois elementos que compõe uma rede social: os atores e as suas conexões, sendo os atores as pessoas, grupos ou instituições e as conexões os laços sociais ou interações entre esses atores.
Uma rede, assim, é uma metáfora para observar os padrões de conexão de um grupo social, a partir das conexões estabelecidas entre os diversos atores. A abordagem de rede tem, assim, seu foco na estrutura social, onde não é possível isolar os atores sociais e nem suas conexões. (RECUERO, 2009, p. 24)
Numa rede social off-line, como num grupo de amigos, membros de um clube, ou comunidade religiosa, por exemplo, os atores são aqueles que estabelecem laços sociais por meio de interação, porém numa rede social mediada por computadores esses atores não são reconhecidos de imediato, devido à distância de suas interações. Para Recuero (2009), um ator pode ser um blog, um perfil no Twitter, ou Facebook, ou qualquer outra ferramenta de rede social on-line, sendo cada perfil um único nó na rede, mesmo que este seja administrado por várias pessoas. Esses espaços, a autora define como representações de atores sociais e de construção de identidade, através de narrativas pessoais.
Os serviços de empresas on-line, como o Facebook e o Twitter, são denominados sites de redes sociais, “uma categoria do grupo de softwares sociais, […] com aplicação direta para a comunicação mediada por computador” (RECUERO, 2009, p. 102). Há uma diferença entre estes sites e outras ferramentas de comunicação pelo computador, que está justamente na visibilidade da rede social, sua manutenção e também nos “mecanismos de individualização”, que são a personalizações e construções de identidade.
Há então uma apropriação das ferramentas, em seu uso privado e público, para a expressão de um “eu”. Trata-se de uma necessidade de exposição pessoal, característica do mundo pós-moderno e globalizado, focado no individualismo. “É preciso ser ‘visto’ para existir no ciberespaço.” (RECUERO, 2009, p. 27).
Neste contexto de uso das ferramentas, que o Facebook se desenvolveu de uma ideia de rede de contatos, entre alunos que saiam do colegial para a universidade, para se tornar o que Tiburi (2014, p. 236), define como espaço do “cotidiano virtual”, onde nos são oferecidas diariamente “visões de mundo, compreensões novas, ou pelo menos diferentes, do hábito imediato” e “define-se para nós como um território de práticas antes inimagináveis que vêm modificar questões e conceitos fundamentais em nossas vidas.”
Assim a tecnologia digital deixou de ser uma ferramenta para comunicação à distância e troca de informações, para se tornar um espaço de representações individuais e seus relacionamentos, uma extensão do existir no mundo que se apropriou de nosso cotidiano.


