CABALA - RESENHAS

O Caminho

O Caminho – Usando a Sabedoria da Cabala para a Transformação e Plenitude Espiritual, de Michael Berg, é um livro sobre Cabala, que, diferente dos que eu já havia lido, não aborda Sephirots e Árvore da Vida. Não é uma Cabala Hermética, trata-se da Cabala em sua essência filosófica, muito mais fácil de ser compreendida e até praticada.

A história de como este livro chegou às minhas mãos é um tanto interessante. Havia sonhado, há muito tempo, com uma versão decadente e em ruínas da minha cidade, Blumenau. Eu estava na biblioteca da principal universidade, também em ruínas, seguindo um sujeito negro, forte e de cabelo black power grisalho, que me indicou um livro chamado “O Caminho…” E acordei sem saber o resto do nome do livro. Mas tinha uma ideia de um Sol estampado na capa. Procurei pela internet e não achei nada parecido. Meses depois, em um evento sobre Reiki, fiz uma consulta de búzios e comecei a me interessar por Umbanda e Orixás. Dias depois eu já estava em uma loja de artigos religiosos comprando uma imagem de Obaluaê e resolvi passar num sebo, onde O Caminho de Michael Berg caiu em minhas mãos. Mas o insight só chegou em casa, quando comecei a ler o livro. “É o ‘Caminho’, o livro do sonho! Será?” Não importa se é o mesmo livro do sonho ou não, pois era sim o livro que eu estava precisando ler no momento!

O autor Michael Berg foi um dos responsáveis pela difusão da Cabala além dos círculos tradicionais de rabinos, através do Kabbalah Centre, organização de estudos que trouxe o misticismo cabalístico para o cotidiano, como ferramenta de transformação da consciência.

O primeiro conceito que o livro me trouxe foi a ideia de que Cabala não se resume à árvores e esferas conectadas, mas sim a um sistema completo de filosofia mística que explica o mundo espiritual e sua influência no mundo material. Começa com a ideia de Deus como Luz, uma força que se expande e deseja unicamente iluminar, dar a si própria, enquanto a humanidade, criada pela Luz, em algum momento se perdeu e deixou de querer dar para desejar apenas receber, e acumular. 

Todo ser humano deseja acumular para si: poder, prazer, riquezas, controle, reconhecimento etc. Não que isso seja necessariamente ruim, o problema está na estagnação que o acúmulo gera. A Luz não se propaga. Mas se ao invés de acumular para si, o se humano compartilha a Luz que recebe, ele coloca a energia em movimento. Luz contínua para todos! Então a questão principal é “isso para em mim, ou passa através de mim?”

Ou seja, não é pela negação cega dos prazeres, dos poderes, dos interesses do ego em geral, que o indivíduo irá necessariamente se transformar. Mas pela escolha consciente de compartilhar. E não se trata de mera caridade, de fazer doações, não é sobre isso. Mas é também sobre resistir a impulsos, pois entre um estímulo e uma resposta existe um espaço microscópico, e esse espaço é onde mora a verdadeira liberdade espiritual.

O autor explica também o lado bom do caos, pois ele nos mostra onde o desejo é meramente egóico. Problemas recorrentes na nossa vida tendem a ser erros de consciência não resolvidos. O caos nos mostra onde reagimos no automático, onde e quando queremos “receber” sem termos nos transformado ainda. Essa transformação, diz ele, expande o recipiente por onde entrará mais Luz.

O livro ainda traz algumas visões bem práticas em exercícios para serem aplicados ao dia a dia, como observar sem julgamentos, fazer pausas entre um estímulo e uma reação, compartilhar sem esperar nada em troca, ouvir sem corrigir, deixar o outro vencer, colocar intenção em tudo antes de fazer qualquer coisa e outras pequenas práticas que mudam aos poucos, sua forma de viver e enxergar o mundo.

Super recomendo a leitura, principalmente para quem já se frustrou com Árvores da Vida, Caminhos e Sephirots.

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