ACADÊMICOS - FILOSOFIA

O SER VIRTUAL – VIII

CONCLUSÃO

A rápida evolução tecnológica, ocorrendo à margem da evolução social, inseriu as redes sociais on-line no cotidiano dos homens, criando uma nova esfera de existência. Essa virtualização do viver, baseada na instantaneidade de constantes atualizações, coloca a busca do homem por uma essência fora de um campo mais reflexivo. Sem negar o em-si, o homem de má-fé se fundamenta no que lhe é externo e temporário, e mediado pela tecnologia se objetifica enquanto define sua representação. Projeta seu ser-para-o-outro em prol da visibilidade. Cria um produto de si que se comercializa com a quantidade de aprovações mecanizadas em likes. O ser virtual não se difere muito do ser sartreano, que se objetifica perante a consciência do outro. A virtualização apenas potencializa, maximizando a distância entre o ser coisificado e um projeto de vida mais autêntico. 

Assim o existencialismo permanece atual, lembrando a necessidade de uma consciência mais reflexiva, de um olhar mais crítico sobre si mesmo, tendo em vista o autoconhecimento para um projetar-se, nessa nova esfera, de forma mais livre. Talvez como um perfil digital vazio, um nada encontrado na negação, cuja representação de si se constrói apenas nas relações com os outros, fundamentando-se sempre nas próprias atitudes conscientes.


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